Ciclovias se espalham por mais 158 km da cidade de São Paulo

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Malha chega a vias como Rebouças, Nove de Julho e Morumbi; ciclistas comemoram expansão, mas se queixam de faixa estreita

Priscila Mengue
Praticamente estacionada por três anos em meio a polêmicas, a implementação de ciclovias e ciclofaixas da cidade de São Paulo vive um momento de retomada, com 158 quilômetros entregues desde dezembro de 2019. O sistema cicloviário chegou a vias de referência, como as Avenidas Aricanduva, Jacu Pêssego, Rebouças, Ricardo Jafet, Morumbi e Domingos Dias nos últimos meses. Usuários e cicloativistas elogiam a medida, mas reforçam que melhorias ainda são necessárias.
Com 2,7 quilômetros de extensão e ligação com 11 outras ciclovias, a ciclovia da Avenida Paulista permite que o ciclista percorra vias exclusivas da Zona Oeste até a Zona Sul da cidade ()
Com 2,7 quilômetros de extensão e ligação com 11 outras ciclovias, a ciclovia da Avenida Paulista permite que o ciclista percorra vias exclusivas da Zona Oeste até a Zona Sul da cidade ()
Foto: Agência Brasil

Com a expansão, a capital paulista chegou a 661 km na malha cicloviária. Em 2016, a cidade tinha 498 km, extensão antes de 98 km no início de 2013. De acordo com a Prefeitura, outros 5,5 km estão em obras e 10 km em finalização, previstos no Plano Cicloviário, de 2019.

“Há previsão de ampliação da malha com a construção de mais 300 km de ciclovias e ciclofaixas, até 2024, aproximando a rede cicloviária da cidade dos 1.000 km de extensão”, apontou em nota. Para ativistas, essa mudança também mostra que a bicicleta está melhor entendida como um meio de locomoção e que ganhou ainda mais protagonismo na pandemia.

Para Murilo Casagrande, de 38 anos, cicloativista e diretor da ONG Aromeiazero, São Paulo deveria inspirar-se em iniciativas de outras capitais, como Bogotá e Buenos Aires, que ampliaram as ciclovias temporárias para incentivar a mobilidade ativa durante a pandemia. “É uma medida de segurança sanitária”, comenta. “Agora é a chance de a bicicleta crescer muito na cidade de São Paulo, é um movimento mundial.”

Ele também elogia a implantação de ciclofaixa em vias que já tinham grande demanda, como a Rebouças, que antes não tinha interligação entre as ciclovias das Avenidas Faria Lima e Paulista, duas das principais da cidade. Mas destaca que também é necessário investir em mais opções nas regiões periféricas.

Mais valor

Conselheiro da Câmara Temática de Bicicleta, da Prefeitura, o relações públicas Thomas Wang, de 26 anos, percebe que a população “começou a dar mais valor” à mobilidade por bicicleta. Ele cita comércios nas proximidades de ciclovias que dão descontos para quem está de bike. “Perceberam o potencial do ciclista como cliente.”

Wang diz, contudo, que a Prefeitura e a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) ainda são “muito tímidas” na implementação de ciclovia quando envolve reduzir o espaço do fluxo de carros. Por isso, parte das novas ciclofaixas têm uma largura que considera não ideal.

“Mesmo estreita, é melhor ter que não ter. Quem está acostumado a andar, vai usar. Aquele que só anda de ciclofaixa de lazer (disponíveis exclusivamente nos finais de semana) ou é iniciante nem sempre vai se sentir seguro na ciclofaixa estreita, com um ônibus passando a 50 km/h do lado”, comenta, ao citar exemplos como a Avenida Aricanduva e a Rua Pedro Bueno. “Agora, para quem já anda mesmo, a ciclofaixa é bônus.”

Ele também aponta o problema de algumas ciclofaixas ocuparem parte da sarjeta, tornando a área de tráfego ainda mais reduzida. “Às vezes, fica um terço inutilizável, porque tem rampas de garagem, canos, na sarjeta. Quando chove, a água passa escorrendo.”

Outra crítica recente é a de ciclofaixas feitas sobre a calçada, a exemplo da entregue no Viaduto Nove de Julho, na região central. “Não faz sentido espremer pedestres e ciclistas em um local que tem muitos, onde é perto da Câmara, de escritórios, de prédios residenciais, com fluxo de entregadores de bicicleta”, comenta. Em fóruns de ciclistas, há, inclusive, quem defende não utilizá-la, optando por andar na avenida, para preservar quem anda na calçada.

Em nota, a CET afirmou que as ciclofaixas seguem as normas padrões estabelecidas no município. A companhia também disse que está em “diálogo com representantes” a respeito da paralisação da implementação da ciclovia da Rua Luís Góis, na Vila Mariana, em busca de uma “rota alternativa”, após reclamação de comerciantes. Por fim, explicou que a ciclofaixa do Viaduto Nove de Julho está sob a calçada para “aumentar a segurança dos ciclistas” e que mantém espaço suficiente para a circulação de pedestres.

Legislação

“Promover os modos não motorizados como meio de transporte urbano, em especial o uso de bicicletas, por meio da criação de uma rede estrutural cicloviária” está previsto no Plano Diretor de 2014. Ele determina também uma maior integração de todos os sistemas de mobilidade e criação de bicicletários.

Além disso, a lei prevê que a implementação de ciclovias e ciclofaixas faça adaptações nas vias quando necessário. Isso inclui a “redução do espaço de estacionamento de automóveis” e a “ampliação de calçadas”.

A CET tem três contadores de fluxo de ciclistas na cidade. Na Rua Vergueiro, o fluxo em fevereiro deste ano foi mais do que o triplo do que o registrado no mesmo mês de 2020, com pouco mais de 90 mil ciclistas em cada sentido. Na Avenida Gastão Vidigal, ele subiu de uma média de cerca de 8 mil, em cada sentido, em fevereiro de 2020, para cerca de 10 mil.

Já no caso da Avenida Faria Lima, o número de passageiros teve queda, indo de uma média de 60 mil em cada sentido em fevereiro anterior à pandemia para cerca de 50 mil neste ano. Alguns dos possíveis motivos é que a via é majoritariamente comercial e está em uma área com ampla adoção do home office durante a pandemia.

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